5. INTERNACIONAL 1.5.13

1. OS AMADOS DA VIVA
2. MAIS UM BAILE EM ASSUNO
3. AINDA SEM VNCULOS
4. WWW.COM.CONFUSO

1. OS AMADOS DA VIVA
Aim, Kicilove e Coqui so os rapazes que gravitam em torno de Cristina Kirchner no governo. Um livro diz que ela os descarta quando deixam de ser teis.
NATHALIA WATKINS

     Dois anos e meio depois da morte do ex-presidente Nstor Kirchner, a viva e sucessora Cristina ainda no se desfez das roupas negras. O luto foi indispensvel para que ela conquistasse nas urnas um segundo mandato, em 2011. Nstor, que nos seus ltimos anos de vida foi a eminncia parda do governo da mulher e definia dos bastidores suas polticas, faleceu de infarto. Seu lugar de confidente foi ocupado por vrios moos. Todos lindos & inteligentes. "(Cristina)  a mulher que se rodeia de ambiciosos e frequentemente jovens funcionrios que parecem ter sado de um casting de modelos, deslumbra-se com eles e logo se desencanta com a mesma facilidade. Ela os usa e depois joga fora", escreve o jornalista Franco Lindner no recm-lanado livro Los Amores de Cristina, sem traduo para o portugus. Desde 2003, quando o casal Kirchner chegou  Casa Rosada, Lindner acompanhou seu entorno, primeiro como redator e depois como editor de poltica da revista semanal Notcias. Com base em entrevistas com funcionrios pblicos, mdicos que atenderam a presidente, militantes jovens e empresrios, ele traou um perfil dos conselheiros e confidentes preferidos da viva e abordou o cime e o frisson que eles provocaram nos diversos escales do governo. 
     Cristina chegou a ter um relacionamento amoroso com algum deles? Na avaliao de Lindner, se algum chegou l foi o atual vice-presidente, Amado Boudou, conhecido entre os amigos como Aim ("amado", em francs). "Ele, em uma conversa telefnica, teria se referido a Cristina Kirchner como mami, algo como baby, que  um apelido romntico", disse Lindner a VEJA. O jornalista conta que, em 2010, os vizinhos do prdio de Boudou, ento ministro da Economia, notaram uma imponente operao, com pelo menos quinze seguranas vigiando as portas de entrada e sada do edifcio. Um dos funcionrios disse a uma moradora que se tratava dos guardas da presidente, mas ningum sabe ao certo o que ela foi fazer l, em plena tarde. "A partir de agora, muchachos, considerem-me o novo Kirchner", disse Boudou certa vez durante um churrasco no 13 andar do Ministrio da Economia. Boudou tambm teria feito confidncias em que parece compartilhar a intimidade da presidente. "Que feia  Cristina sem maquiagem", teria dito sobre a mulher que, segundo Lindner, "se pinta como uma porta". De acordo com o livro, Cristina gasta entre uma e duas horas por dia maquiando-se. 
     Boudou perdeu o posto de favorito quando Cristina ouviu, em um grampo telefnico, a mesma conversa em que ele a chamou de mami, no fim de 2011. Seu corao ento foi roubado pelo economista Axel Kicillof, de 42 anos, de olhos claros e nenhuma experincia administrativa. "Foi um amor platnico, um deslumbramento intelectual", diz Lindner. Kiciloff  casado e pai de dois filhos. "Ela est hipnotizada por mim", reconheceu ele em uma roda de camaradas. Hoje ele  vice da Pasta de Economia, mas se comporta como chefe. Foi o mentor da expropriao da petrolfera espanhola YPF. Os jornais portenhos passaram a cham-lo de "Kicilove". Outro que ganhou as atenes da presidente foi o governador da provncia de Chaco, Jorge Capitanich, apelidado de Coqui. Ele foi visto subindo sozinho ao  quarto de Cristina quando estavam em Nova York, durante a cpula da Organizao das Naes Unidas (ONU), em 2009. Coqui seria uma verso dulce de leche de Rosemary Noronha, ex-secretria do gabinete da Presidncia da Repblica em So Paulo, que viajava para o exterior com o ex-presidente Lula quando sua esposa, Marisa Letcia, ficava no Brasil. "Capitanich tomou mates com ela (Cristina) e a acompanhou nas viagens internacionais em que no ia (Nstor) Kirchner", escreve Lindner. 
     A alternncia entre os amados de Cristina gera dois problemas ao pas. O primeiro  a inconstncia nas polticas pblicas. Quando Boudou era o ministro da Economia, a Argentina renegociou suas dvidas com o Fundo Monetrio Internacional (FMI). Nessa poca, o modelo argentino era o do capitalismo de amigos. Alguns empresrios se acercavam do casal presidencial para oferecer e receber favores. A entrada de Kicilove mudou o sistema. Ele voltou a arrumar inimigos no exterior e enveredou pelo capitalismo de estado. Em vez de priorizar os camaradas, o objetivo agora  deixar tudo sob o controle estatal. 
     O segundo efeito nefasto gerado pela promiscuidade no poder  o estmulo  corrupo. Qualquer um que uma vez tenha usufrudo a confiana  quem sabe at a intimidade  da presidente ganha um escudo contra acusaes. " comum que as investigaes de funcionrios ligados ao governo no avancem. Isso acontece h dez anos, desde a eleio de Nstor", disse a VEJA o deputado argentino Manuel Garrido, advogado e ex-promotor anticorrupo. Boudou saiu ileso de uma investigao sobre enriquecimento ilcito, lavagem de dinheiro e atuao incompatvel com a figura de funcionrio pblico no caso da Companhia Sul-Americana de Valores, ex-Ciccone, que imprime dinheiro, em 2011. Aim teria favorecido amigos na compra da grfica e a ajudado a obter o contrato de impresso de notas de 100 pesos. Aos argentinos, que se vem incapazes de impedir a dilapidao do patrimnio pblico pelos preferidos de Cristina, s restaram os panelaos.


2. MAIS UM BAILE EM ASSUNO
O presidente eleito Horacio Cartes repete defeitos antigos da poltica paraguaia. Pelo menos ele no  bolivariano.

     O empresrio Horacio Cartes, eleito presidente do Paraguai no domingo 21 com 45% dos votos, rene alguns dos principais vcios dos polticos de seu pas. Membro do Partido Colorado, que governou o Paraguai por mais de trs dcadas, ele tem o clientelismo na veia. Quando sua legenda ocupava o Palcio de Los Lopez, a sede do Poder Executivo, ter a carteirinha vermelha do partido era a garantia de um emprego no setor pblico. As promessas de campanha de Cartes fazem jus ao hidropopulismo, que consiste em recorrer a todo tipo de chantagem para vender mais caro ao Brasil parte da energia produzida na usina hidreltrica binacional de Itaipu. Dono de empresas de cigarro e de bebidas alcolicas, Cartes tambm representa como poucos o esteretipo do contrabando pelo qual o  Paraguai  conhecido no Brasil. Sua fbrica Tabesa produz anualmente 18 bilhes de cigarros. Seriam necessrios quinze Paraguais para fumar tudo isso. Os maos das doze marcas prprias de Cartes, como Palermo, San Marino e Ibiza, entram no Brasil sem passar por inspees na alfndega nem pagar impostos e respondem por um em cada treze cigarros vendidos por aqui. 
     Cartes, porm, tem a grande qualidade de no ser bolivariano, ou seja, no pretende colocar o pas na trilha das polticas autoritrias e antimercado que tm afundado a Argentina e a Venezuela. O seu partido foi um dos que rejeitaram, no Senado, a entrada da Venezuela no Mercosul, por considerar que Hugo Chvez nada tinha a acrescentar ao bloco. A deciso levou o Paraguai a ser punido com a suspenso do Mercosul. Oficialmente,  isso foi uma retaliao ao impeachment do presidente paraguaio Fernando Lugo, em junho do ano passado, mas na realidade se tratou de um golpe dos governos do Brasil e da Argentina para colocar Caracas no bloco. Com a posse prevista para agosto, Cartes quer recuperar os direitos do Paraguai no Mercosul. Ele sabe que isso tem mais peso diplomtico do que prtico. Afinal, o seu pas no sofreu sanes econmicas, o que seria mais prejudicial ao Brasil e  Argentina. "A suspenso do Mercosul apenas impediu que o presidente paraguaio tomasse caf ou mate com os colegas do Brasil, da Argentina e do Uruguai", diz o economista paranaense Wagner Enis Weber. O impasse com a Venezuela, contudo, est longe de ser solucionado. O Itamaraty considera que a entrada de Caracas no Mercosul  irreversvel. S que os parlamentares paraguaios ainda precisam dar o seu aval. Esto criadas as condies para que as regras do bloco sejam novamente desrespeitadas. 
TAMARA FISCH


3. AINDA SEM VNCULOS
Os terroristas da maratona de Boston agiram isoladamente, mas motivados por crenas islmicas, e, por enquanto, so considerados "lobos solitrios" pelos investigadores.
ANDR PETRY, DE NOVA YORK

     Capturado depois de 22 horas de perseguio, ferido no pescoo, na cabea, nas pernas e nas mos, e sem condies de articular mais que uma palavra, Dzhokhar Tsarnaev, 19 anos, cidado americano desde o ano passado, recuperava-se sobre uma cama de hospital em Boston quando os investigadores chegaram. Invocando ameaa  segurana pblica, interrogaram-no por dezesseis horas antes de informarem oficialmente seu direito de ficar calado e ter um advogado presente. Fazendo movimentos de cabea para indicar "sim" ou "no", Dzhokhar confessou ter cometido o atentado que matou trs pessoas e deixou mais de 260 feridos na maratona de Boston, em 15 de abril. Disse que ele e o irmo mais velho, Tamerlan, 26 anos, morto na perseguio policial, agiram motivados por crenas islmicas, mas que no tinham conexo com grupos terroristas. Disse que aprenderam a fazer bombas numa revista on-line ligada  Al Qaeda e, no tivessem sido pegos, iam dirigir at Nova York e explodir uma bomba na Times Square. 
     O contedo do depoimento no foi oficialmente divulgado. Acreditando-se na verso acima, divulgada por fontes oficiais mas annimas, o caso pode parecer resolvido, mas  s o comeo de uma assustadora etapa da ameaa terrorista: o avano dos "lobos solitrios", como as autoridades chamam os terroristas que agem sozinhos. Eles se instruem, treinam e executam seus atos brbaros sem ajuda financeira, assistncia ou ordens de grupos organizados. Por no terem ligaes com as redes terroristas, esses criminosos so quase invisveis at o primeiro atentado. Diz Marc Sageman, ex-CIA e atual consultor do governo americano: "Quanto menos envolvidos, mais difcil detect-los". 
     O terrorismo individual no  novo, mas  crescente. Desde 1995, quando o insano Timothy McVeigh explodiu um edifcio federal em Oklahoma City matando 168 pessoas, os lobos solitrios se multiplicaram. McVeigh teve cmplices, mas parece ter atuado sem ligao com grupos terroristas. Condenado  morte, foi executado trs meses antes dos atentados de setembro de 2001. Depois de um briefing reservado do FBI no Senado, Marco Rubio, republicano da Flrida, disse: "Precisamos nos preparar para ataques como o de Boston, e no apenas para ataques como o de setembro de 2001". 
     Mas o que so as "crenas islmicas" que levaram os irmos Tsarnaev ao terrorismo? Por que explodiram bombas em Boston? Contra o que reagiam? No hospital, Dzhokhar disse que queriam se vingar da violncia americana no Iraque e no Afeganisto, alegao de dez entre dez terroristas capturados. As investigaes nada encontraram para explicar a vingana. Tamerlan, o mais velho, parece ter virado um radical islmico quase repentinamente, e aliciado o irmo mais novo. Familiares contam que, em algum momento entre 2009 e 2010, Tamerlan passou a falar em Deus a todo momento, parou de beber e, segundo vizinhos, usou uma longa tnica branca durante alguns dias. Sua me, Zubeidat Tsarnaeva, que hoje mora na Rssia e est em completo estado de negao sobre a culpa dos filhos, comeou, na mesma poca, a agir de modo fervoroso  e conspiratrio. Informada pelo filho, dizia que o atentado de 2001 fora armao do governo americano para incitar o dio aos muulmanos. 
     O rastro de Tamerlan na internet mostra que ele estava interessado em teologia islmica. Marcou um "curti" no sermo de um extremista que acusava Harry Potter de "glorificar o paganismo e o mal". Comeou a frequentar uma mesquita de Cambridge, perto de Boston, mas atritou-se com o im. Duas vezes, levantou-se para protestar contra o sermo. Uma delas, quando o lder defendeu, que os muulmanos nos EUA celebrassem o feriado de Ao de Graas. A outra, quando disse que Martin Luther King fora um "grande homem". O que intriga os investigadores  a viagem de seis meses que Tamerlan fez  Rssia no ano passado. Visitou a Chechnia e o Daguesto, focos de extremistas islmicos, e chegou a ir a uma mesquita radical. Mas os investigadores no encontraram laos com grupo terrorista nem relaes com um mentor extremista. Tudo sugere, at aqui, que Tamerlan era um lobo solitrio, radicalizado pela internet. Est morto. O irmo agora pode ser condenado  pena de morte. 
     Na falta de acordos internacionais contra o uso criminoso da rede, a internet serve para doutrinar, disseminar propaganda e at recrutar e treinar futuros terroristas. H sites com tutoriais de como fazer bomba. Segundo Gabriel Weinmann, da Universidade de Haifa, em Israel, os sites terroristas aumentaram muito na ltima dcada: de 100 para quase 5000, at 2007. A conta  antiga e imprecisa. Considera s sites claramente orientados para o terror e tenta ignorar os falsos, criados para confundir. O Pentgono acompanha os mais hostis. Isso ajuda. Monitorando conversas online, os alemes alertaram as autoridades espanholas sobre o atentado ao metro de Madri, em 2004. 
     A burocracia antiterror do FBI e da CIA tambm est na berlinda. Em maro de 2011, o governo russo informou ao FBI que Tamerlan havia "mudado drasticamente" e planejava ir  Rssia para "juntar-se a um grupo clandestino no especificado". Perguntou se o FBI sabia de vnculos extremistas de Tamerlan. O FBI investigou, entrevistou o suspeito e familiares, mas no achou nenhuma conexo com radicais. Em setembro, os russos voltaram  carga, pedindo informaes  CIA, que tambm examinou o caso e mandou a mesma resposta para Moscou: nenhuma suspeita. Mesmo assim, o nome de Tamerlan entrou na lista de alerta caso viajasse para o exterior. Em janeiro de 2012, ele no teve problemas para embarcar para a Rssia. O alerta falhou porque seu nome estava com grafia diferente e outra data de nascimento. Mesmo depois de dois pedidos dos russos, em maro e setembro, FBI e CIA parecem no ter desconfiado de que Tamerlan merecia mais ateno. Nem escalaram um agente disfarado para se aproximar e obter mais informaes. Depois do briefing do FBI, o senador Lindsey Granam, republicano da Carolina do Sul, definiu: "Para mim, Boston  um estudo de caso de uma falha sistmica".


4. WWW.COM.CONFUSO
Dois meses de baguna institucional na Itlia mostraram que a internet  um bom lugar para discusses e um pssimo meio para tomar decises polticas.
MRIO SABINO, DE PARIS

     A Itlia tem finalmente um governo, passados dois meses das eleies que deram deputados e senadores  trupe comandada por um humorista maluco, Beppe Grillo, ressuscitaram um bufo que de louco no tem nada, Silvio Berlusconi, e emprestaram tintas de tragicomdia s divises da principal agremiao de esquerda, o Partido Democrtico (PD). O chefe de estado continuar a ser Giorgio Napolitano, de 87 anos, que aceitou um segundo mandato de outros sete, depois de assistir ao fracasso no Parlamento das tentativas para fazer seu sucessor. A reeleio de um presidente da Repblica, sempre indireta,  indita na Itlia. Napolitano indicou um poltico de quase a metade da sua idade, Enrico Letta, de 46, para o cargo de primeiro-ministro.  o mais jovem desde 1987. Agora, cabe a Letta, como chefe de governo, montar um ministrio com credibilidade internacional semelhante  do gabinete "tcnico" de seu antecessor, o professor Mrio Monti, que conseguiu afastar o pas do abismo  e tambm com sustentao nacional para que a terceira economia da zona do euro no saia do caminho virtuoso.  
     A novidade deste momento delicado da poltica peninsular no so os imbrglios, uma constante irremovvel como os Apeninos, mas o papel que nela assumiu a internet. At 2009, a rede de computadores vinha sendo usada nas disputas partidrias da Itlia como ferramenta acessria de propaganda na luta pelo poder, da mesma forma que em outras naes to ou menos democrticas. O humorista Beppe Grillo deu um passo adiante ao utilizar um blog para escrever torto por linhas certas, as da insatisfao popular com a corrupo e a falta de perspectivas, e assim criar o seu Movimento Cinco Estrelas. Investido de ira aparentemente santa e revestido daquela protoideologia do ascetismo, de cujos desdobramentos perigosos a histria contm, fartos registros  direita e  esquerda, Grillo formatou um programa de desgoverno na internet e arregimentou candidatos ao Senado e  Cmara por meio de "primrias" realizadas via redes sociais. Uma vez no Parlamento, os deputados e senadores do Movimento Cinco Estrelas passaram a transmitir ao vivo reunies, sesses e votaes, submetendo-as a escrutnio no Facebook, Twitter e redondezas. E foi-se tomando por conspirao o que era apenas negociao legtima. 
     Esse procedimento contaminou o Partido Democrtico. Nas eleies para presidente da Repblica, muitos de seus integrantes votaram de acordo com as manifestaes oriundas da internet. Resultado: o consenso, que j estava difcil em relao a todos os assuntos, ficou mais complicado, e viu-se perdida a oportunidade de voltar a enterrar Berlusconi, por intermdio da eleio do ex-premi Romano Prodi, seu inimigo figadal. De to bombardeado na rede pelos "grillinos", Prodi perdeu o apoio de parte do PD que ajudou a criar. A sada foi convencer Napolitano, nome simptico   maioria dos italianos, a ficar no palcio do Quirinale at completar, espera-se, 94 anos. Enraivecido, Grillo quis convocar pela rede uma "marcha sobre Roma", abortada diante do protesto geral. Para alm do ensimo exemplo de como aventureiros ocupam espaos quando os governantes no exercem a contento as suas funes, conclui-se que a internet no substitui a poltica. A transparncia eletrnica e a "participao direta" pretendida por Grillo revelaram-se um arremedo de assembleias estudantis maniquestas. 
     A verdade  que, na rede, pode mais quem grita mais durante mais tempo, e a estridncia de poucos passa longe da democracia e dos pactos necessrios  sua sobrevivncia. Na melhor hiptese, a rede  lugar de discusses, no de decises. Disse Napolitano na fala inaugural do segundo mandato: "A internet fornece acesso precioso  poltica, mas no h participao realmente democrtica, representativa e eficaz na formao das decises pblicas sem a mediao de partidos capazes de renovar-se ou de movimentos polticos organizados. Todos vinculados ao imperativo constitucional do mtodo democrtico". Dias mais tarde, ungiu Enrico Letta. A primeira dor de cabea do novo primeiro-ministro? Uma falsa conta sua no Twitter. Mas ele teve sua revanche. Os lderes do Cinco Estrelas no Parlamento puseram na rede, em streaming, o seu encontro com Letta, para tentar mostr-lo como uma raposa da poltica. Foram humilhados quando ele, ao falar da Europa, citou o Benelux, o bloco econmico que une Blgica, Holanda e Luxemburgo. Os "grillinos" no sabiam o que era. Pareciam achar que se tratava de um similar do Facebook. Coisa de louco. 

